Dr. Felipe Calmon - Neurocirurgião
Dor na coluna ao sentar: Saiba o que pode ser a causa

Dor na coluna ao sentar geralmente está ligada à sobrecarga mecânica, irritação de disco ou nervo, ou alteração postural. Identificar o padrão da dor é o que define o melhor tratamento.
Sentir dor na coluna ao sentar é um sintoma muito comum e, na maioria das vezes, tem relação com a forma como a coluna e o quadril ficam “carregados” nessa posição. Sentar aumenta a pressão sobre os discos da coluna lombar, tensiona músculos estabilizadores e, quando há desalinhamento postural, pode irritar estruturas que já estão sensíveis.
Em algumas pessoas, a dor aparece poucos minutos depois de sentar e melhora ao levantar. Em outras, a dor surge após longos períodos na mesma posição, como no trabalho, no carro ou em viagens. Esse padrão é importante porque sugere causas diferentes: desde dor muscular e postural até hérnia/protusão discal ou compressão neural.
Outro ponto que muda completamente a interpretação é a presença de sintomas associados. Se junto da dor existe formigamento, dormência, queimação ou dor que desce para glúteo e perna, a suspeita de envolvimento nervoso aumenta e o caminho do diagnóstico costuma ser mais direcionado.
O objetivo deste conteúdo é ajudar você a entender o que pode causar dor na coluna ao sentar, quais sinais merecem mais atenção e como esse sintoma costuma ser investigado e tratado de forma segura.
Quais são as causas mais comuns de dor na coluna ao sentar?
A causa mais frequente de dor na coluna ao sentar é a combinação de postura + sobrecarga: quando a pelve “roda” para trás, a lombar perde a curvatura natural e os discos passam a suportar mais pressão. Se isso acontece todos os dias, o corpo começa a reagir com rigidez, contraturas e dor ao permanecer sentado.
Além disso, ficar sentado por longos períodos reduz a circulação e aumenta a tensão de músculos como glúteos, piriforme e flexores do quadril. Essa tensão pode gerar dor na lombar, sensação de peso nos glúteos e desconforto ao levantar, especialmente quando o corpo “trava” nos primeiros passos.
Outra origem muito comum é o disco intervertebral. Em quem já tem desgaste discal, protrusão ou hérnia, a posição sentada pode piorar a dor por aumentar a pressão interna do disco e sensibilizar estruturas próximas. Nesses casos, a dor costuma ser mais “pontual”, com crises e piora ao ficar sentado por muito tempo, principalmente em cadeiras sem apoio lombar.
Também entram na lista as articulações (facetas) e a articulação sacroilíaca, além de dores que parecem “da coluna”, mas vêm do quadril ou do cóccix. Por isso, o diagnóstico não deve se basear apenas no local onde dói, e sim no padrão do sintoma.
Como saber se a dor na coluna ao sentar tem relação com hérnia de disco?
Quando a dor na coluna ao sentar tem relação com disco (protusão/hérnia), é comum haver um “padrão de pressão”: sentar piora, inclinar o tronco para frente pode piorar mais, e levantar ou andar tende a aliviar parcialmente. A dor pode ficar concentrada na lombar, mas também pode irradiar para glúteo e perna, dependendo da raiz nervosa envolvida.
O sinal que mais chama atenção é a irradiação com características neurológicas: queimação, choque, formigamento, dormência e sensação de trajeto (por exemplo, do glúteo para a parte de trás da coxa). Nem toda irradiação é ciática verdadeira, mas quando ela aparece junto com dor ao sentar, vale investigar com mais critério.
Outro ponto é a resposta a movimentos. Dor discal costuma piorar com longos períodos sentado, direção prolongada e posição “curvada”. Muitas pessoas relatam que precisam mudar de posição o tempo todo, apoiar-se de um lado, ou esticar a coluna para “destravar”.
Mesmo assim, é importante lembrar: exame de imagem isolado não fecha diagnóstico. Ressonância pode mostrar protrusões em pessoas sem dor. O que define a suspeita é a coerência entre sintomas, exame físico e imagem quando necessária.
Dor na coluna ao sentar pode ser apenas postura e tensão muscular?
Sim — e essa é uma das explicações mais comuns. A dor na coluna ao sentar por postura geralmente aparece como desconforto difuso, rigidez e sensação de “peso” lombar, especialmente no fim do dia. É típica em quem trabalha muito tempo sentado, usa cadeira sem ajuste, inclina a cabeça para frente e mantém a lombar sem apoio.
A musculatura estabilizadora (core, glúteos, paravertebrais) funciona como “cinto” de proteção da coluna. Quando ela está fraca ou descoordenada, a coluna sofre mais com qualquer posição mantida. A dor pode ser intensa, mas costuma melhorar com ajustes simples, pausas, fortalecimento progressivo e ergonomia adequada.
Além disso, encurtamentos de flexores do quadril e tensão do piriforme podem “puxar” a pelve para posições que sobrecarregam a lombar. Em algumas pessoas, a dor aparece ao sentar e piora quando se levanta, porque os músculos estão rígidos e o corpo demora alguns passos para “soltar”.
O erro comum é tratar apenas a crise com analgésico e ignorar a causa mecânica. Quando a base é postura e tensão muscular, o tratamento mais efetivo costuma ser o que devolve tolerância à posição sentada e melhora o controle do tronco — sem depender de soluções temporárias.
Quando a dor ao sentar indica compressão nervosa ou algo mais sério?
A maior parte dos casos é benigno e mecânico, mas alguns sinais exigem atenção. Se a dor na coluna ao sentar vem acompanhada de perda de força, dormência progressiva, alterações importantes de sensibilidade ou piora contínua nas últimas semanas, a avaliação precisa ser mais cuidadosa, principalmente para proteger a função neurológica.
A compressão nervosa pode acontecer por hérnia, estenose (estreitamento do canal), ou inflamação em volta da raiz nervosa. A dor muda de “padrão”: não é apenas incômodo lombar; passa a existir sensação elétrica, queimação, dormência, dor irradiada e limitação funcional clara.
Também é importante diferenciar dor ao sentar que melhora ao inclinar o tronco (padrão possível de estenose) de dor que piora ao inclinar (padrão mais compatível com disco, em algumas pessoas). Esses detalhes ajudam muito na consulta e evitam tratamentos genéricos.
E existem sinais de alerta que não devem ser ignorados. Eles são menos comuns, mas quando aparecem, o ideal é procurar avaliação rapidamente para investigação adequada.
O que pode ser dor no cóccix ou no glúteo ao sentar e parecer dor na coluna?
Nem toda dor na coluna ao sentar nasce na coluna. Um exemplo clássico é a coccidínia: dor no cóccix que piora ao sentar em superfície dura e melhora ao aliviar pressão, às vezes após queda, parto ou longos períodos sentado. A pessoa sente dor “bem no fim da coluna”, como se algo estivesse pressionando.
Outra causa muito comum é dor referida do quadril ou da articulação sacroilíaca. Ela pode aparecer como dor em um lado do glúteo, sensação de travamento e desconforto ao levantar. Em alguns casos, o incômodo parece lombar, mas o gatilho real está no quadril, na pelve ou na região glútea.
O piriforme também pode entrar como fonte de dor. Quando ele fica tenso, pode irritar estruturas na região glútea e gerar dor ao sentar por compressão local. Isso pode confundir com ciática, mas o padrão costuma ser diferente e precisa ser avaliado com exame físico.
Essas variações mostram por que é tão importante entender exatamente onde dói, quando dói e o que muda a dor. Dor ao sentar não é um diagnóstico — é um sintoma com múltiplas causas possíveis.
Como é feito o diagnóstico e qual é o melhor tratamento para dor na coluna ao sentar?
O melhor tratamento para dor na coluna ao sentar começa com diagnóstico clínico: entender o padrão, examinar mobilidade, força, reflexos, sensibilidade e identificar sinais de sobrecarga ou de irritação neural. Em muitos casos, isso já direciona a conduta sem precisar de exames imediatos.
Quando a dor é persistente, recorrente, irradiada ou com sinais neurológicos, exames podem ser indicados para confirmar suspeitas e planejar o cuidado. O objetivo não é “correr para a ressonância”, e sim usar o exame como ferramenta quando ele realmente muda a decisão de tratamento.
O tratamento costuma seguir uma lógica progressiva: controlar crise (dor e inflamação), retomar movimento seguro, fortalecer estabilizadores, corrigir ergonomia e reduzir recaídas. Em situações selecionadas, procedimentos intervencionistas podem ser considerados para aliviar dor e permitir reabilitação mais eficiente, sempre com indicação individual.
Conclusão
Se você sente dor na coluna ao sentar com frequência, ou se a dor está piorando e limitando sua rotina, uma avaliação especializada ajuda a diferenciar causas e evitar tentativas repetidas sem direção. O Dr. Felipe Calmon, neurocirurgião especialista em crânio e coluna, pode orientar o caminho mais seguro e objetivo para aliviar a dor e recuperar função, com base no que realmente está causando o sintoma.












